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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Pelo direito de ser autêntico

Foto: http://the-universal-mind.deviantart.com/

Perguntaram-me: “Se você pudesse ser outra pessoa, quem você seria?”. Sorri, e muito educadamente respondi que queria ser eu. Não entendo porque diria o contrário, covardia abandonar a identidade de alguém que esteve comigo a vida inteira. Talvez desejasse um pouco mais de dinheiro e algum sucesso, mas deixar de ser eu, de jeito nenhum. Se o fizesse ofenderia os meus pais, que gentilmente doaram tempo e carga genética, para me fazer assim dessa forma. Há quem prefira cobiçar as curvas plastificadas de alguma celebridade enlatada, e buscar a metade do que nunca foi inteiro, como se perseguir o fantasma de outro rosto fosse a melhor forma de satisfazer a dor de sobreviver. Não é. Pior que o desamor, é o repúdio a si mesmo.

Existem padrões e modelos estéticos que distorcem mentalidades, mas o veneno do preconceito já é ruim o bastante sem autodepreciação. Boicotar-se por um ideal falho não vai remodelar feições. Sorrir talvez seja a maneira mais digna de embelezar-se, faz parte desses encantos que independem de aparência. É fácil lamentar a falta de atributos, o problema é valorizar os existentes. Questão de atitude, de andar sem descobrir as crateras do chão. Um pescoço erguido é capaz de esconder o sol.

Ninguém além de mim vai envelhecer desse jeito, nem morrer sabendo como foi. O segredo é aceitar-se. Encarar a máscara desgrenhada que surge no espelho com orgulho, entender que é normal estar alguns quilos acima do peso e que as pequenas imperfeições fazem o comum virar extraordinário. Não deseje o artificial. Há muitas formas de beleza, inclusive a sua.